Maior problema
está na primeira instância
Data: 06/08/2007
Hora: 06:38
A Justiça estadual da região Centro-Oeste
é criticada por pelo menos dois presidentes de seccionais
da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB): de Mato Grosso do Sul
e Mato Grosso. Para o presidente da OAB-MS, Fabio Trad, o maior
problema da Justiça estadual concentra-se na primeira
instância, em especial, nas varas cíveis. "Isso
por conta da relação entre o número de
juízes e o número para processos. Há vara
cível com cerca de 4,5 mil a 6 mil processos para um
único juiz", afirma.
Trad diz que leva de três a cinco anos para sair sentença
nas varas cíveis do Mato Grosso do Sul. E defende ainda
que é preciso maior conscientização de
juízes e promotores com relação às
prerrogativas dos advogados como, por exemplo, o direito a consultar
os autos.
Já quanto ao Tribunal de Justiça do Mato Grosso
do Sul, Trad tem menos críticas. "Nesse caso, o
problema é menos crônico. Para julgar recursos
de apelação demora de seis meses a um ano",
afirma o advogado. Trad lembra também que o projeto de
informatização do TJ-MS precisa avançar.
Segundo dados do tribunal do Mato Grosso do Sul, de 9.261 processos
cíveis em tramitação no último dia
30 de junho, 2.346 são de 2006, 1.725 são de 2005,
794, de 2004, 279 de 2003 e 9 de 2002. Já quanto aos
criminais -também em junho- havia menos de 700 processos
a serem julgados.
O presidente do TJ-MS, João Carlos Brandes Garcia comemora
o fato de o número de processos distribuídos e
julgados serem próximos. No ano passado, foram distribuídos
23.838 e julgados 23.877. Há cinco anos, foram distribuídos
12.663 e julgados 11.583.
Segundo Brandes, a informatização é um
dos fatores que faz com que essa seja a proporção.
"Em agosto, todas as 54 comarcas estarão informatizadas
e interligadas por rede", garante. De 11, dois juizados
especiais já têm processo todo virtual. Além
disso, na primeira instância há uma vara de execução
fiscal de tributos municipais também virtualizada, da
petição à decisão. Há 3 mil
computadores no TJ-MS.
O orçamento do TJ-MS desse ano é de R$ 223 milhões,
mais R$ 45 milhões de um fundo (custas processuais) para
investimentos em treinamento, reforma e informática,
entre outros. "Nossa reclamação é
de que até o ano passado tínhamos direito a 6,83%
da receita corrente líquida do estado e esse ano ela
baixou para 6,30%. A demanda aumentou e nosso reparte caiu",
critica.
Mato Grosso
Na Justiça estadual do Mato Grosso a principal crítica
fica para a falta de magistrados e servidores. O presidente
da OAB-MT, Francisco Anis Faiad, afirma que precisam ser realizados
concursos ainda nesse ano. "Principalmente, no interior",
diz o advogado.
Hoje, um recurso no TJ é julgado em menos de seis meses,
em média, segundo Faiad. "Há cinco anos,
demorava mais de dois anos", lembra.
Para o presidente da OAB-MT, os recursos de informática
da primeira instância do Mato Grosso é satisfatória.
De acordo com o advogado, é possível acessar
decisões, jurisprudência e andamento do processo,
que é atualizado todos os dias. "Isso melhorou
a vida dos advogados e das partes. E, nas próximas
semanas, deve ocorrer o lançamento do peticionamento
eletrônico, que vai começar nos juizados especiais".
Segundo dados do TJ-MT, tanto na primeira como na segunda
instância, o volume de ações distribuídas
é sempre maior do que o de julgadas. Em 2002, foram
distribuídos 186.167 processos e julgados 117.320.
Em 2006, foram distribuídos 322.739 e julgados 186.328.
Na segunda instância, a situação é
semelhante. Em 2002, foram distribuídas 12.843 ações
e julgadas 10.905; e, no ano passado, foram distribuídas
18.227 ações e julgadas 16.470.
Distrito Federal
O Tribunal do Distrito Federal é um dos mais bem equipados
do País. Assim como o Tribunal do Rio Grande do Sul,
a estrutura está totalmente informatizada. Para este
ano, está prevista uma nova modernização
do sistema de informática. O tribunal vai ganhar equipamentos
mais modernos que devem permitir a tramitação
mais rápida e a redução do acúmulo
dos processos, um problema que aumentou este ano em relação
ao ano passado.
Atualmente tramitam no tribunal 535 mil processos. Número
superior ao do mesmo período do ano passado. No primeiro
semestre de 2006, tramitavam 511 mil processos. Entre janeiro
e dezembro de 2006, o tribunal do DF distribuiu 293 mil processos
e julgou 283 mil, o que equivalente a 96,5% do total. Este
ano houve redução do número de processos
julgados. Entre janeiro e junho, o tribunal do DF distribuiu
171 mil processos e julgou 149 mil, o que corresponde a 87%
dos processos distribuídos, uma queda de quase dez
pontos percentuais.
Fonte: Gazeta Mercantil/Restrito
Dinheiro da União
Data: 06/08/2007
Hora: 07:57
Santa Catarina ganhou o apoio dos governadores
do Rio Grande do Sul, Yeda Crusius (PSDB), do Paraná,
Roberto Requião (PMDB), e do Mato Grosso do Sul, André
Pucinelli (PSDB), na empreitada para conseguir liberar dinheiro
da União. Na “Carta de Bonito”, assinada
ontem, durante a reunião do Conselho de Desenvolvimento
e Integração Sul (Codesul), em Bonito (MS),
foi incluído o pedido de apoio do governo federal para
a liberação dos títulos do Ipesc e a
liberação imediata dos R$ 210 milhões
referentes à compra da conta salário do Besc.
Desde que o Banco do Brasil descartou a possibilidade de pagar
os R$ 210 milhões da conta salário antes de
finalizar a incorporação do Besc, o governo
estadual intensificou as negociações de outra
frente com o Tesouro Nacional para alavancar recursos da União.
Agora, os catarinenses colocam as fichas na possibilidade
sugerida pelos técnicos do Tesouro: levantar R$ 240
milhões através da antecipação
dos títulos do Ipesc, hoje em poder da União.
Diariamente o secretário de Coordenação
e Articulação Ivo Carminati (PMDB) conversa
com o secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin.
Na pauta das conversas, soluções para os entraves
jurídicos e a disposição de fazer valer
na prática o que foi acertado entre o governador Luiz
Henrique da Silveira (PMDB) e o ministro da Fazenda, Guido
Mantega, há um mês.
Na época, o governador exigiu o pagamento de uma quantia
semelhante aos R$ 210 milhões que foi oferecida pelo
Bradesco no leilão das contas salário realizado
em dezembro e que aguarda decisão do Supremo Tribunal
Federal (STF) para ser validado.
A “solução Ipesc” foi colocada na
mesa de negociações na última reunião
entre os técnicos do Tesouro Nacional e do governo
catarinense. Os títulos do Ipesc atualmente rendem
R$ 4,8 milhões mensais aos cofres estaduais. Para alcançar
o valor pedido pelos catarinenses, a União pagaria
de uma vez todas as parcelas que repassaria mensalmente até
31 de dezembro de 2010.
“O governador entende que havendo a possibilidade de
resolver o problema do Besc e do Ipesc ao mesmo tempo, a solução
é boa”, comemora Carminati.
Fonte: A Notícia