Data: 05/04/07 - 04:19
Lula irá ao STF se veto
a emenda de prestador cair
Durante jantar com senadores do PT, o presidente Luiz Inácio
Lula da Silva afirmou anteontem que vai recorrer ao STF (Supremo
Tribunal Federal) se o Congresso derrubar seu veto a dispositivo
que regulamentava a relação entre prestadores
de serviço e as empresas contratantes. Por exigência
da oposição, o presidente do Senado, Renan Calheiros
(PMDB-AL), pretende convocar uma sessão do Congresso
na próxima semana para apreciar o veto presidencial
à chamada emenda 3, que proibia auditores da Receita
de multar profissionais liberais que prestam serviço
na condição de pessoas jurídicas. O artigo
em questão fazia parte do projeto de lei que criou
a Super-Receita, fundindo as estruturas de fiscalização
e arrecadação dos ministérios da Fazenda
e da Previdência Social. Segundo senadores, o presidente
afirmou que está convencido de que teve razão
ao vetar esse item porque seria inconstitucional. No jantar,
Lula teria afirmado que, num país com trabalho escravo,
o Estado não pode ter o poder de fiscalização
reduzido. Ainda segundo os presentes, o presidente teria dito
que não pode concordar com um mecanismo que serviria
para camuflar relações trabalhistas. Caso seja
derrotado no Congresso, o governo pretende ingressar com uma
Adin (Ação Direta de Inconstitucionalidade)
no STF. O texto vetado explicitava na lei o entendimento de
que só a Justiça tem o poder de dissolver uma
pessoa jurídica se entender que seu contrato de prestação
de serviço encobre uma relação trabalhista.
O governo afirma que esse dispositivo fere o princípio
de independência dos Poderes ao proibir a Receita, no
caso o Executivo, de multar esses profissionais liberais,
deixando essa atribuição com o Judiciário.
A chamada emenda 3 foi apresentada por 63 dos 81 senadores
e acabou aprovada em votação simbólica
pelo Senado. Foi ratificada na Câmara por 304 a 146
e teve apoio da maior parte dos partidos aliados, da oposição
e de mais de 200 entidades empresariais e profissionais liberais.
No governo, porém, a emenda foi bombardeada pela Receita
e pelo Ministério do Trabalho. Após o veto,
o governo enviou um projeto de lei alternativo ao Congresso,
que permite manter a fiscalização, mas sobre
o qual não há consenso. A diferença é
que, no projeto, a decisão de dissolver a pessoa jurídica
passa do auditor fiscal para o delegado da Receita, ou seja,
uma instância superior. Em entrevista na Fazenda, o
ministro Guido Mantega negou que a Receita deixará
de fiscalizar as empresas prestadoras de serviço que
são formadas por uma única pessoa, mas afirmou
que não haverá 'uma ação mais
determinada' do fisco enquanto não houver um acordo
sobre a questão. Mantega negou que tivesse feito um
acordo com as centrais sindicais, conforme afirmou, na terça,
o deputado e presidente da Força Sindical, Paulo Pereira
da Silva, após reunião com o ministro. O presidente
da Fenaj (Federação Nacional dos Jornalistas),
Sérgio Murillo de Carvalho, disse ontem que os sindicatos
querem a manutenção do veto à emenda
3 para evitar uma reforma trabalhista 'branca'. Ontem, líderes
de entidades que representam os jornalistas estiveram reunidos
com Mantega e o secretário da Receita Federal, Jorge
Rachid. Na avaliação do sindicalista, a emenda
3 regulamenta uma situação que já existe
de fato nas Redações. Mantega assumiu o compromisso
de voltar a conversar com a categoria sobre o assunto.
Fonte: Folha de São Paulo
Data: 04/04/07 - 23:02
STF deve decidir sobre greve
de servidor na próxima semana
O Supremo Tribunal Federal (STF) pode se antecipar ao governo
e estabelecer na quinta-feira da próxima semana os
direitos e deveres dos funcionários públicos
quando decidem parar de trabalhar. Essa espécie de
regulamentação do direito de greve dos servidores
públicos pode sair de duas ações em julgamento
pela Corte.Sindicatos ligados ao funcionalismo pedem que o
STF reconheça que o Congresso Nacional e o presidente
da República estão em dívida com os servidores
por não providenciarem uma lei para regulamentar as
paralisações da categoria. Nas ações,
os sindicatos pedem explicitamente que o Supremo fixe regras
provisórias para as greves no serviço público.
Essas regras deverão vigorar até a aprovação
de uma lei específica. O julgamento já começou
no STF, mas foi adiado em meados do ano passado por um pedido
de vista do ministro Ricardo Lewandowski.Relator de uma das
ações, o ministro Eros Grau afirmou durante
o julgamento que 'a mora, no caso, é evidente'. Segundo
ele, essa omissão é incompatível com
o que está previsto na Constituição.
'A greve é a arma mais eficaz de que dispõem
os trabalhadores como meio para a obtenção de
melhoria em suas condições de vida', afirmou.
Ele disse, no entanto, que é necessário definir
medidas para assegurar a continuidade da prestação
do serviço público.No início de março,
o governo anunciou a intenção de proibir greves
em setores essenciais do serviço público. Mas
a idéia foi criticada nos meios jurídicos. O
presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB),
Cezar Britto, disse que proibir greve é inconstitucional.
'O direito de greve foi assegurado aos servidores públicos',
afirmou Britto na ocasião. 'É preciso apenas,
por via da lei complementar, estabelecer a forma do seu exercício
e não a de sua proibição. Qualquer medida
que venha a ser aprovada limitando ou restringindo o direito
de greve fere a Constituição', acrescentou.
Fonte: Agência Estado